2 de setembro de 2015

Quebrado

E de repente senti como se eu tivesse encontrado meu lugar.

A noite estava escura e apenas algumas luzes incandescentes iluminavam alguns bancos vazios
...E então você se despediu
Um abraço apertado, demorado
Do tipo de abraço que fazia tempo que eu não recebia

E sempre me pegava pensando em como achava surreal o modo como costumava sentir os diferentes tipos de abraço que recebia -e interpreta-los-

Mas esse, pensei,
Era um abraço tão sincero, tão puro, tão revigorante...

-Como eram todos os seus abraços comigo-

E então, foi embora andando em direção ao breu
Enquanto eu contemplava, maravilhada,
a noite.

A solidão me atraía e me deixava num estado de êxtase...
-Como se me possuísse-
E com essa sensação, encontrei meu lugar -uma vez por fim-
Em nada mais que um segundo eterno...

Quebrado repentinamente por uma buzina.

Percebi que me esperavam  -ansiosamente-
Mas nem se davam conta do momento

Quebrado

Mas ainda sim insisti em continuar
Tentando de qualquer forma, prolongar meu conforto:
Aquela sensação de submissão ao invisível
-Pela qual eu era dominada-

E continuei, cegamente:
Observava o escuro, aquelas luzes artificiais
E pensava desesperadamente
Em como me sentiria bem
Se só por um instante pudesse andar
E desaparecer
Na solidão daquela noite

Assim como você.